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1898 - 1998 |
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100 ANOS |
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FARMÁCIA CARAPETA E IRMÃO |
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ESTREMOZ |
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Vitor Manuel Capela Carapeta |
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Há muitos abrigos para o
saber. Desde aqueles que habitualmente relacionamos com esta reserva de
cultura, como palestras, academias, museus, ou escolas; até àqueles que
aparentemente se encontram afastados dessa reserva, por estarem mais
directamente destinados a desempenhar tarefas práticas. Se procurarmos bem
nesta última categoria, encontramos a farmácia. É disso mesmo que se
trata: um local de saber. Mais: um local onde o saber se converte em
generosidade, indiferentemente repartida. À farmácia dirigem-se os
que vão munidos da informação que lhes permitirá sobreviver, e os que
ainda procuram essa informação em primeira mão. Para uns a farmácia
satisfaz uma necessidade quase meramente comercial; mas para muitos
outros, ela continua a preencher funções que ultrapassam largamente esta
frieza mercantil, garantindo a atenção, a ajuda e o afecto que para ali
encaminham, na ausência de outros sítios objectivos. Nesta situação,
encontram-se principalmente as farmácias dos meios pequenos, do interior
ou do litoral. A farmácia sempre assumiu,
e em certas localidades continuará ainda a assumir, o papel de centro de
sociabilidade e de convívio. A farmácia era o sítio de gente “ilustrada”,
quando a ilustração estava longe de ser um bem comum. Era o ponto de
encontro, quando rareavam locais de discussão. Era o veículo que
transmitia as novidades, era a possibilidade de comentar as notícias do
jornal, de reflectir sobre os acontecimentos do dia-a-dia, de forjar
acções de entreajuda, de tomar decisões, de conspirar, de encontrar um
amigo, de passar simplesmente as tardes mais quentes. O farmacêutico tinha
um estatuto equivalente ao do político da terra, do padre, do
mestre-escola, figuras a quem todos recorrem e de quem todos esperam
soluções. Todas as civilizações têm
as suas farmácias. Embrenhadas numa cultura mágica de receitas esotéricas;
ou num ritual religioso de mitos e crenças; ou ainda, resultado do
progresso técnico; ou finalmente, transmissoras de um certo avanço
científico, as farmácias exprimem o desenvolvimento de uma sociedade. E se
quase todas perderam alguma da sua preponderância, enquanto focos de
experimentação oficinal (laboratorial) que elaborava os seus preparados,
muitas farmácias de província não perderam ainda a aura que lhes confere também a
capacidade de nos situar ou re-situar no mundo e na vida. Fundada a 1 de Janeiro
de 1898 por João Augusto Silveiro Carapeta, a que uns anos mais tarde veio
a designar-se Farmácia Carapeta & Irmão, encontra-se desde essa
época instalada num edifício cuja construção remonta ao séc. XVIII. Anteriormente o espaço
ocupado pela farmácia foi uma adega cujos vestígios dessa actividade se
encontraram quando em 1991 foi remodelada, tendo sido preservados todos
aqueles que não interferiram na obra, e restaurado tudo o que foi
possível. Num pequeno e
despretensioso museu que ocupa uma sala que dá para o exterior
encontram-se algumas peças do mobiliário original (as restantes
encontram-se numa divisão interior) bem como utensílios de farmácia de
oficina da época em que foi fundada. Livros do curso de farmácia e
documentação vária como sejam diplomas, livros de registo de receituário e
de contabilidade, receitas médicas, contratos de arrendamento e objectos
de uso pessoal do fundador da farmácia, podem ser vistos neste
espaço. Tradicional ponto de
encontro e “cavaqueira”, esta, tal como praticamente todas as farmácias da
época, não fugiu à regra. Memória dessa actividade complementar posso
referi-la pelo que ouvi contar a meu Tio e a meu Pai, e a que ainda tive
oportunidade de constatar entre os anos 1944 e 1956, ano em que deixei de
frequentar diariamente a farmácia em virtude de me ter ausentado para
prosseguir os meus estudos fora de Estremoz. Frequentadores assíduos
da farmácia que conheci, recordo os Senhores: Ruy Sande, Dr. André
Tavares, Tem. Coronel Franco, João Carreço, Engº. Bicker Pimentel, Drs.
José Matos, Francisco Matos, António Matos e Guilhermino Matos, João
Barrento, Luís Gomes Resende, Dr. Crespo, Dr. Assis e Santos e Dr. Faria
Pais. Para aqueles a que estes nomes nada digam, esclareço que foram
personalidades de grande prestígio em Estremoz, com as mais diversas
ideologias mas que estavam unidos por profunda amizade entre si e pela
cidade de Estremoz. Desde que foi fundada,
a farmácia sempre foi pertença da família Carapeta e apenas entre os dias
7 de Junho de 1958 e o dia 1 de Dezembro de 1966 a direcção técnica não
foi exercida por um familiar. A continuação da farmácia dentro da família ficou assegurada por minha Filha, Paula Cristina Ferreira Dias Carapeta, licenciada em farmácia pela mesma Faculdade onde se formaram os pais, Faculdade de Farmácia do Porto, e que no dia em que a farmácia completar 100 anos irá ocupar o cargo de Farmacêutica Adjunta. |
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DATAS LIGADAS À HISTÓRIA DA FARMÁCIA CARAPETA |
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1871 |
A 20 de Janeiro, nasce em Estremoz, João Augusto Silveiro Carapeta, o segundo de cinco irmãos, que viria a ser o fundador da Farmácia Carapeta & Irmão. |
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1884 |
A 8 de Maio faz exame da instrução
primária. |
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1885 |
A 11 de Abril sai de Estremoz para praticar farmácia, iniciando-a a 1 de Maio na farmácia de José Augusto Moura em Aljustrel. |
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1886 |
A 17 de Junho sai dessa farmácia indo
para Lisboa a 14 de Julho para a farmácia Aliança situada na Rua Direita
da Espera n.º 214. |
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A 1 de Outubro começa a
estudar Francês. | |
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1887 |
A 3 de Julho sai da
farmácia Aliança. |
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A 8 de Agosto faz exame
de Francês. | |
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A 3 de Outubro entra
para a farmácia Durão em Estremoz, começando nesse dia a estudar
Matemática. | |
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1888 |
A 7 de Julho faz exame
de Matemática. |
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A 1 de Agosto começa a
estudar Introdução. | |
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1889 |
A 21 de Outubro, sai da
farmácia Durão, data em que foi encerrada, e nessa mesma data entra para a
farmácia Franco em Estremoz. |
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1890 |
A 5 de Outubro,
sai da farmácia Franco. |
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A 7 de Outubro entra na
farmácia Estácio em Lisboa. | |
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1891 |
A 31 de Janeiro
sai da farmácia Estácio. |
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A 19 de Fevereiro entra na farmácia do Hospital de S. José, obtendo
a 20 de Outubro o diploma, nomeando-o Aspirante de 2ª classe. | |
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1892 |
Em Novembro começa a estudar Química. |
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1893 |
Em Janeiro começa a estudar Farmácia. |
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1898 |
A 1 de Janeiro abre a farmácia em Estremoz.
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1904 |
Com um irmão também
farmacêutico faz sociedade provindo daí o nome da farmácia que conserva
actualmente. Esse irmão, Wenceslau
Silveiro Carapeta nascido em Sousel no dia 24 de Agosto de 1880 obtém o
diploma de farmacêutico na Escola de Farmácia de Lisboa a 30 de Maio de
1903. |
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1907 |
Faz uma digressão
pela Europa acompanhado pelos amigos Ruy de Sande, Luiz Rezende, António
Rosado, João Carreço, e Carlos Sousa. Visitam as cidades:
Cáceres, Madrid, Barcelona, Marselha, Nice, Monte Carlo, Mónaco, Biarritz,
Génova, Milão, Veneza, Luzerna, Interlaken, Berna, Lausane, Géneve, Paris,
Bruxelas, Waterloo, Bordéus, Bayone, Pau, Lourdes, Salamanca e San
Sebastian. |
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1922 |
É admitido como
auxiliar de farmácia Joaquim Manuel Silveiro Carapeta com a idade de 13
anos, pai do actual proprietário e sobrinho de João Carapeta e Wenceslau
Carapeta. |
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1923 |
A 4 de Fevereiro, vítima de acidente de viação,
morre Wenceslau Carapeta. |
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A 16 de Setembro é constituída uma sociedade por quotas entre João Augusto Silveiro Carapeta,Frederico Mestres Carapeta, Joana Mestres Carapeta e Josefa Mestres Carapeta, respectivamente filhos e viúva de Wenceslau Carapeta. | |
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1944 |
A 30 de Maio é constituída nova sociedade, entre os anteriores sócios e a Drª. Isabel Cortes Silva. Tanto esta sociedade como a anterior eram ilegais visto que nenhum dos herdeiros de Wenceslau Carapeta era farmacêutico. Nessa data Joana
Mestres Carapeta começa a registar a prática, ficando a trabalhar na
farmácia. |
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1958 |
A 7 de Junho morre João Augusto Silveiro Carapeta deixando por testamento a sua quota a Joaquim Manuel Silveiro Carapeta. |
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1966 |
A 5 de Novembro o
actual proprietário conclui o curso de Farmácia na Faculdade de Farmácia
do Porto. |
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A 1 de Dezembro o
actual proprietário assume a direcção técnica da farmácia. |
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A 30 de Março Vítor
Manuel Capela Carapeta adquire todas as restantes quotas.
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1968 |
A 12 de Julho Vítor Manuel Capela Carapeta adquire a quota da Drª. Isabel Cortes Silva Capela, que deixara de exercer funções desde 1945 em virtude de se ter ausentado para Lisboa. |
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A 4 de Outubro conclui
o curso de farmácia na Universidade do Porto a Drª. Maria Leopoldina
Ferreira Dias Capela Car |
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1969 |
A 7 de Abril a Drª.
Maria Leopoldina Carapeta assume a função de Directora Técnica da Farmácia
conjuntamente com o seu marido. |
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1981 |
A 16 de Outubro abre na
aldeia de Arcos um posto de medicamentos da Farmácia Carapeta & Irmão,
cuja assistência é feita pela Drª. Maria Leopoldina Ferreira Dias
Carapeta. |
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Estes dados foram recolhidos através de notas pessoais manuscritas por João Augusto Silveiro Carapeta, documentação que faz parte do seu espólio e documentação actual que faz parte do arquivo do proprietário da farmácia. | |