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QUANTO VALEM OS SELOS? O DRAMA DOS SELOS Trabalho da Jornalista Teresa Cotrim Suplemento “DINHEIRO” do Jornal de Negócios de 16 de Junho de 2006 |
AFINSA NEGA SOBREVALORIZAÇÃO DOS SELOSMaria do Carmo Lencastre é a presidente da Afinsa Portugal, cuja empresa mãe, juntamente com o Fórum Filatélico, está no centro da crise que ficou conhecida como "Fraude nos Selos".
A actividade da Afinsa voltará ao normal, quando? Depende da decisão do juiz em primeiro lugar. A Afinsa está preparada para o fazer quando lhe for permitido. Não há neste momento prazos definidos embora o administrador judicial diga que a situação actual é de impasse e que não será longa.
Considera que esta problemática afectará o negócio dos selos? Que abanou algo é já uma realidade. O poder recuperar rapidamente depende da decisão que se tome. Qualquer mercado se de repente tem excesso de oferta é afectado.
O que podem esperar os investidores? Neste momento ter calma e esperar que se tome a decisão adequada. Tal como referiu o presidente da Afinsa, Juan António Cano, o nosso trabalho é. fazer com que cada cliente receba o que tem que receber.
Uma das acusações é que o valor dos activos em selos é inferior à responsabilidade assumida pela Afinsa, os tais 6%. O que tem a dizer sobre isto?
Um estudo feito a 16 de Março de 2006 pela Escola Universitária de Osuna, onde a filatelia é comparada com diferentes tipos de activos, tanto financeiros como bens tangíveis no mercado britânico, cujos resultados contemplam um horizonte de 20 anos, mostra que, por exemplo, em cinco anos o petróleo tem uma valorização anual de 20,4%, o ouro 16,3%, os selos 16,1 %, a prata 11,7%, os diamantes 10,4%, letras do tesouro (a três meses) 9%, obras de arte (pintura clássica) 8,5%, acções 5,3% e divisas 3%. Em 15 anos o petróleo dá 14,8%, o ouro 7,4%, os selos. 9,8%, a prata 2,4%, os diamantes 6,1%, letras do tesouro (a três meses) 12,7%, acções 13,5% e assim por diante."
Outro tema em debate é a questão dos leilões. Comenta-se que valorizam os selos através dos vossos leilões. Confirma? Os leilões que existem no mundo não são exclusivos da Afinsa. Todos sabemos que num leilão, sejam de selos, de arte ou de antiguidades, podem atingir valorizações consideradas excepcionais. Mas isto são factos, não são requisições de ninguém.
Outra; questão é a discrepância entre os preços de catálogo e os valores independentes. O que pensa do assunto? A Afinsa sempre avaliou os seus selos por catálogos internacionais, externos e totalmente independentes da própria empresa.
O catálogo actualmente em vigor é feito pela Afinsa. Como determinam os preços? O catálogo que a Afinsa edita de selos de Portugal reflecte, como todos os catálogos, sérios e honestos, a realidade do mercado, a sua oferta versus a procura, além da base de evolução natural dos preços, a inflação.
Os produtos estruturados que vendem são compostos por lotes de selos. Como são escolhidos estes lotes? Os lotes são constituídos por selos com maior valorização. São bons selos com boa qualidade. É uma lógica diferente da que é seguida pelos coleccionadores já que estes se dedicam a certos temas e visam, sobretudo, completar a colecção.
Mas quais são os critérios seguidos para a definição de um lote? Em primeiro lugar são selos fora de circulação. Para produtos estruturados de médio/longo prazo isso quer dizer que são selos que estão fora de circulação há 10/12 anos. Para produtos estruturados de curto prazo já é necessário constituir lotes com selos mais antigos.
Os preços são taxados pelos vossos catálogos ou recorrem a catálogos internacionais? Por catálogos internacionais. Como atrás referi o catálogo que a Afinsa edita é de selos de Portugal enquanto a Afinsa nos seus contratos adjudica selos dos mais diversos países do mundo, desde que façam parte da FIP e as edições sejam controladas e escassas.
O investidor quando compra um produto estruturado de selos escolhe a partir da vossa oferta. Como são compostos os lotes? Será que uns valem mais do que os outros? Depende da proposta escolhida e prazo a filatelia adjudicada é diferente. A valorização considerada é mínima, e é sustentada na experiência do mercado ao longo de mais de 25 anos.
Se o cliente quiser levar os selos para casa tem de fazer um seguro? Porquê? É verdade que se assim for engole parte da rentabilidade? Se o cliente quer levar os selos para casa, e há diversos clientes que o fazem, não tem qualquer custo por tal. Se é aconselhável a um cliente fazer seguro? Sim, como o há para outros valores que tenham em casa, quadros, por exemplo. Mas isto é um conselho, não uma obrigação. Fazer ou não o seguro é uma opção do cliente, não lhe será exigido, eventualmente se o incluir no seguro da casa, não haverá custo adicional.
Porque são estes produtos de rentabilidade segura. Sem risco? A história da filatelia com mais de 150 anos de existência, a qualidade e selecção dos selos feita pelos maiores especialistas do mundo neste ramo.
Quantos investidores têm? Um total de 180 mil clientes.
É verdade que os selos no mercado têm menos valor do que os estimados pela Afinsa? Como referi antes a avaliação da filatelia da Afinsa baseia-se em catálogos internacionais de renome aceites pelo mercado. Não há sobrevalorização.
Quais os mercados da Afinsa? Para onde internacionalizam os selos? A empresa Philagroup está presente em cinco países: Itália, Alemanha-Suíça e Espanha. Além de distribuir parte das novidades a nível mundial é concessionária de distribuição de filatelia em mais de 70 países entre os quais se encontram o Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Holanda, Canadá, Japão, China, só para mencionar alguns. Além disso, vendemos através da Internet e realizamos várias feiras e leilões, que estão inseridas no Escala Group, empresa cotada no Nasdaq que no dia da intervenção perdeu 900 milhões de dólares.
É verdade que têm 3,5 milhões de euros não cobertos nos activos da Afinsa? Não. A Afinsa no dia 8 de Maio de 2006 tinha 182,57 milhões de euros em activos financeiros de curto prazo, e devido às participações numa sociedade imobiliária 113,45 milhões de euros, dívidas hipotecárias 18,50 milhões de euros, Grupo Escala 481,67 milhões de euros (valor de acordo com a cotação de 32 dólares a acção, sendo que após a detenção passou a 4 dólares por acção, fazendo o património decrescer face aos compromissos para com os clientes). Existências rondam os 256,30 milhões de euros. Portanto, o total do património ronda 1.015,43 milhões de euros. |
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